A qualidade do cinema argentino, que tantas vezes surpreende, Ć© inegĆ”vel. Mas nossos vizinhos nĆ£o estĆ£o imunes e “Morte em Buenos Aires”, da estreante Natalia Meta, Ć© um filme mediano. Mesmo que o chamariz da produção seja a presenƧa de Chino DarĆn, filho do onipresente e ótimo ator Ricardo DarĆn, o enredo fraco torna a experiĆŖncia totalmente enfadonha.
“Morte em Buenos Aires” acompanha o trabalho do detetive ChĆ”vez (Demian Bichir, de “Che” e “Weeds”) na tentativa de solucionar um homicĆdio. Ele conta com uma grande equipe e tambĆ©m com a ajuda do agente Gomez (estreia de Chino DarĆn no cinema). A premissa Ć© simples e o enredo nĆ£o se preocupa em se aprofundar muito. O espectador mais atento logo descobrirĆ” quem Ć© o assassino e, a partir dali, o filme parece nem se importar em manter a atenção de quem assiste.
As atuações são boas e os protagonistas Demian e Chino se sobressaem ao produto final. O mesmo pode-se dizer da trilha e da fotografia, uma verdadeira viagem aos anos 80, um tratamento feito com cuidado e requinte. Só que não é o bastante. São poucos os momentos que surpreendem. Talvez a tensão criada entre os protagonistas seja um deles, mas até isso é explorado de modo superficial e com uma dose cÓmica que pouco acrescenta.
Se jĆ” sabemos qual a solução do mistĆ©rio, o morno longa deveria se dedicar mais num enredo que trouxesse nuances, que se aprofundasse nos personagens, que explorasse o clima de suspense. No fim, “Morte em Buenos Aires” Ć© raso, uma proposta ilesa e sem riscos. Sem provocaƧƵes, sem qualquer energia.











