Continuando as crĆticas sobre livros da Agatha Christie, hoje falo sobre “A MansĆ£o Hollow”. Nada melhor que um bom mistĆ©rio envolvendo apenas um cenĆ”rio: o casarĆ£o da famĆlia de Lady Angkatell. A senhora Angkatell programou um fim de semana inteiro de atividades para amigos e parentes. Tudo estava ajeitado e ela sabia que as figuras convidadas tinham personalidades diferentes. Por isso jĆ” esperava alguns percalƧos, como alguĆ©m que fala demais ou outro que bebe alĆ©m da conta. O que a anfitriĆ£ definitivamente nĆ£o esperava era o aparecimento do corpo sem vida de um dos convidados, bem ao lado da piscina. Foi assim que um fim de semana que pretendia ser de diversĆ£o teve fim.
Quando todos se deparam com o morto, o choque é inevitÔvel. Ainda mais porque a esposa dele, com uma arma na mão, é quem estÔ ao lado do corpo, atraindo a ela todas as suspeitas. A cena, pitoresca e quase surreal, é uma das primeiras que o detetive Hercule Poirot encontra. Sim, o policial também era um dos convidados para o fim de semana na mansão Hollow.
Diferente dos outros livros que li da Agatha, este prefere se aprofundar na visĆ£o de cada personagem sobre os fatos que acontecem antes, durante e após o homicĆdio – e nĆ£o somente no mistĆ©rio. Talvez por isso ele seja considerado mais romance que suspense pela maioria dos leitores. As primeiras pĆ”ginas podem parecer enfadonhas, mas sĆ£o importantes para que possamos conhecer a personalidade de cada um dos visitantes da mansĆ£o.
Como jĆ” Ć© caracterĆstica de Agatha, a construção dos personagens beira ao excelente e a história segue de forma sempre aprimorada e cativante. O livro Ć© mais um caso de Hercule Poirot, que no fim se mostra um bom detetive e tambĆ©m psicólogo. O baixinho gordinho e bigodudo atĆ© se atrapalha na investigação, com tantos caminhos que o crime criou, mas no fim descobre quem foi o assassino e ainda impede que outras mortes aconteƧam. JĆ” adianto que prefiro as histórias que envolvem Miss Marple, outra personagem de Agatha e que considero Marple mais carismĆ”tica que Poirot. Mesmo assim, o livro consegue prender o leitor, uma boa narrativa que explora todos os envolvidos. AlĆ©m de, claro, ter uma resolução bem esperta, mesmo que todos jĆ” desconfiem de quem tenha planejado o fim repentino das festanƧas de Lady Angkatell.




