Antes de tudo, gostaria de deixar claro que meu coração NÃO é de pedra. Tenho sentimentos, como qualquer pessoa. Mas não, não chorei com “A culpa é das estrelas”. Isso é ruim? Acho que não. A tão divulgada obra de John Green é uma leitura fácil, mas feita pra te deixar triste. Os leitores menos deslumbrados pela campanha de marketing do livro com certeza vão olhar a obra como mais uma história romântica, que tenta trazer uma lição de vida.
O livro tem como personagem principal Hazel, de 17 anos e que tem câncer no pulmão. Durante as 283 páginas, seguimos a vida dela, os percalços da luta contra a doença e o grupo de amigos dela, quase todos enfrentam problemas de saúde. Tem também os pais dela, mas eles são pouco aprofundados, o que já me levou logo, de início, a desacreditar de uma personagem jovem, doente e que necessita muito da ajuda dos pais no dia-a-dia. Se eles são tão importantes, porque eles pouco aparecem?
A escrita é até ágil, mas não lembra em nada jovens normais. Todos falam de forma rebuscada, até mesmo a única personagem patricinha, que seria o oposto do grupo principal. Uma forma muito teatral de tentar deixar Hazel, menina de personalidade e atitude, mais humana. Se as frases fossem menos de efeito e mais próximas do cotidiano, o livro seria muito, muito melhor. Outro problema: se o livro é feito pra fazer chorar, como diz na capa, presume-se logo que alguém vai morrer. E ao invés de virar as páginas pra saber como a história vai se construindo, o leitor fica esperando o tal momento em que um dos personagens bate as botas.
A tentativa de forçar a barra continua durante todo o livro. A história paralela, da viagem de Hazel e o namorado, é tão sem pé nem cabeça que só os mais carentes poderão levá-la a sério. Aliás, um dos pontos positivos é o namorado da mocinha, personagem bem mais profundo que a própria protagonista.
Se você está a fim de ler mais uma história de amor, com muita pitada de drama, situações forçadas e que pretendem provocar lágrimas, o livro será uma ótima opção. Não é o pior livro do mundo, mas com certeza não entra na lista dos melhores.
Curti: Augustus Waters, namorado de Hazel. Único personagem realmente cativante, com nuances interessantes.
Não curti: O livro, num todo, é uma bela obra de marketing. Não é ruim, mas não é tão bom quanto o vendem.

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