Christopher Nolan cinema

Menos teoria, mais drama

12:54Guilherme Correa

É extremamente difícil rotular algo ou alguém, mesmo que algumas classificações estejam embrenhadas na memória ou em livros acadêmicos. Etiquetar “Interestelar” como ficção científica é minimizar o potencial de um filme dramático, que consegue ir além dos cenários virtuais e das teorias sobre viver em outros planetas. O filme, dirigido por Christopher Nolan (“Batman: O Cavaleiro das Trevas”, “A Origem”), se debruça nas emoções de um pai de família que sai em viagem espacial, numa tentativa de salvar a humanidade da fome – a grande vilã de um futuro tomado por intempéries.


Mesmo realizando testes em Terra, a melhor opção seria habitar outro planeta dentro de um “buraco de minhoca” - uma deformação do espaço/tempo, atalho espacial onde existem outros planetas. Um fenômeno previsto só na teoria pelos cientistas. Antes mesmo da viagem espacial, o longa consegue explicar esse roteiro com o melhor do entretenimento. Apresenta a família, o tema, tem emoção e aventura em doses certas. Como protagonista, Matthew McConaughey prova que os tempos de galã das comédias românticas ficaram pra trás.


Assim que a nave toma o espaço, surpresa! A produção decidiu por minimizar o uso de efeitos em chroma-key, com grande parte de cenários reais ou uso de projeções e outras técnicas de filmagem. A ideia de adotar o antigo em pleno século 21 torna a experiência mais próxima do real, fugindo de estéticas falsas e que podem prejudicar esse tipo de filme. O ponto negativo, principalmente na segunda parte, são os diálogos explicativos demais, esmiuçando questões em momentos que o espectador provavelmente vai bocejar. Pra nossa sorte, eles são poucos e não estragam o conjunto.

Há de se destacar os bons momentos de Jessica Chastain, que vem mostrando a cada trabalho evolução e sutileza na construção dos personagens. São dela e de Matthew as cenas mais emocionantes. “Interestelar” é um filme detalhado em suas explicações, mas com bons momentos, principalmente quando explora o drama e seus personagens, não as teorias.

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