cinema Jogos Vorazes

Coragem

13:13Guilherme Correa

No meio do caminho, tinha um filme. É quase no fim da estrada que encontramos “Jogos Vorazes – A Esperança”. Quem espera por um novo jogo de vida e morte na arena, pode se decepcionar. O penúltimo volume da saga foca em situar o espectador sobre como o capítulo anterior terminou e o que esperar do próximo. Há momentos de ação, mas eles são pontuais e servem pra mostrar a ambiguidade de Katniss (Jennifer Lawrence) – uma de nossas heroínas preferidas.


A naturalidade com que Jennifer incorpora a personagem é, com certeza, o ponto alto. Katniss agora se torna o rosto e a líder dos distritos que querem destruir a Capital, mais precisamente o presidente tirano Snow (Donald Sutherland). Com elenco entrosado e bem dirigido, Francis Lawrence desenvolve bem a história e entrega mais um filme envolvente, comprovando que o diretor de clipes musicais fez bem a transição para as telonas.

A protagonista continua corajosa e teimosa. Tenta pensar em salvar todos, mas espera mesmo recuperar os amigos vivos. Não funciona sobre pressão, mas depois de ver uma cidade em chamas, resolve agir. Dualidades que deixam o longa acima da média, principalmente se comparado com outros filmes do gênero, voltados ao público jovem. As cenas mais violentas também diferem.


Desigualdade social e manipulação da mídia são temas que continuam sendo abordados em meio ao entretenimento. Como um ritual de passagem, focando nas forças e fraquezas da heroína, os personagens que antes tomavam conta do filme, agora aparecem bem menos, como Peeta (Josh Hutcherson) e Haymitch (Woody Harrelson). O reencontro entre Katniss e Peeta é rápido e marcante, um dos momentos chaves e angustiante desse capítulo. Os cenários são bem construídos, mesmo os virtuais. O principal diferencial, nesse quesito, é a estrutura subterrânea em que grande parte do filme se passa. Há pouca luz natural e muito cinza, como o cabelo da presidente Alma Coin (Julianne Moore). A trilha e a fotografia se igualam aos outros “Jogos Vorazes”.

“Jogos Vorazes – A Esperança” é corajoso ao se distanciar da aventura e apostar no drama, se aprofundando na personagem principal. Mérito que pode, infelizmente, desagradar quem espera o mesmo de todos os blockbusters. Um risco que mostra inteligência e sensibilidade, e que merece reconhecimento.


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