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Namoradinha má

22:31Guilherme Correa

É difícil falar de “Gata Velha Ainda Mia” e não destacar o talento de Regina Duarte. Sem maquiagem, o olhar arregalado e a atitude grosseira desfazem a imagem da tal ‘namoradinha do Brasil’ neste suspense do estreante Rafael Primot. Mas a atuação brilhante da atriz veterana não salva o filme do marasmo que ronda quase toda a produção.


Regina interpreta Glória Polk, escritora decadente e em crise que tenta, sem sucesso, lançar um novo livro após 17 anos. Antes de tentar terminar a tal obra, ela precisa ser entrevista por Carol (Bárbara Paz) que, além de jornalista, é casada com o ex-marido de Glória. A partir daí, o filme cria uma atmosfera de crise entre as duas, optando por diálogos afiados e muito close-up. E esse último é apenas um dos fatores que torna o filme desconfortável ao longo da exibição.


Mesmo com frases arrebatadoras, o clima de suspense instaurado em todo o longa parece forçado. As cores quentes da fotografia mais atrapalha que ajuda na concepção de thriller. Tudo é claro demais, solar demais pra proposta. E isso muda somente no final, pra ressaltar a reviravolta. A trilha sonora também se mostra exagerada. A música de Thiago Pethit (Devil In Me) é ótima, mas apenas reforça uma cena forte, autoexplicativa e que por si só já esclarece quem é Glória. 

Outro problema, bastante comum nesses tipos de filme, é a mudanças repentinas do percurso nos últimos minutos. É aquela brincadeira com o espectador, pra que ele se perca em meio às reviravoltas. De repente a vilã vira expert em tecnologia e comete atrocidades por vingança, o que não convence. 


Há de se destacar a atuação de Bárbara Paz, contida e certeira, essencial para o desenvolvimento do personagem de Regina. Mesmo assim, “Gata Velha Ainda Mia” tenta decolar, mas não sai do lugar.

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