“Hoje eu quero voltar sozinho” pode ser resumido num belo longa sobre amor. O filme consegue de maneira cativante ampliar a ideia do curta, de nome parecido e que pode ser assistido no YouTube (“Hoje eu não quero voltar sozinho”). Além de manter o mesmo elenco, o sentimento de que estamos vivenciando o nascimento de um grande amor também segue até o fim da produção. Daniel Ribeiro, diretor e roteirista, não minimiza a proposta somente na descoberta da paixão e no homossexualismo. Ele consegue juntar essas e outras questões, transbordando com carisma personagens e história.
Os trunfos do curta também estão presentes nesta obra. Um deles é o modo como tudo é tratado com naturalidade. Vai desde o primeiro beijo, a primeira paixão, até como o personagem principal convive com a deficiência visual. Leonardo (Ghilherme Lobo) é cego, jovem e estuda numa escola regular. Ali e fora do colégio ele conta com a amizade de Giovana (Tess Amorim). Amizade e rotina que mudará com a chegada de um novo aluno, Gabriel (Fabio Audi), por quem Leo se apaixona.
A descoberta desse sentimento causa estranheza e vontades em Leo. E o espectador acompanha tudo. No filme, conhecemos os pais dele, uma mãe que o superprotege e um pai prestativo, além da avó confidente. É interessante observar que a produção não se apoia na descoberta da família sobre a sexualidade de Leo. Direção e roteiro optam por mostrar fora do ambiente familiar os desafios que ele enfrentará. Uma das formas é usando o ambiente escolar e a amizade que se fortalece entre Leo e Giovana.
A maioridade dos atores também permitiu que o filme fosse mais ousado. Tudo é tratado com tanta sutileza que apenas acompanhamos ali o que todos passam na vida. O elenco entrosado consegue manter o clima e todos, sem exceção, se encaixam em seus papéis, tornando tudo mais próximo da realidade. Cenas que parecem simples abrem o sorriso de quem assiste. A explicação sobre o eclipse, uma ida ao cinema ou deitados à beira da piscina. Mas é a cena final uma das mais bacanas, culminando a realização do desejo de Leo que pode significar a liberdade e alegria que ele tanto busca e encontra ali, pertinho, sem precisar fugir.
Como expõem os próprios personagens, esta história tem a dose certa de amor e drama. “Hoje eu quero voltar sozinho” é sensível e sincero.


2 comentários
Não apenas concordo, como acrescento que esse filme definitivamente entrou no meu setlist dos preferidos. Delicado, porém intenso e completamente assertivo.
ResponderExcluirConcordo, Leone Borges, um belo filme.
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