A crise da meia idade, o segredo que consome corpo e mente, um grupo de amigos que não está em sintonia. “Entre Nós” trata de tudo isso, apostando no drama e se distanciando do suspense, como o trailer parecia prever. O filme brasileiro, com roteiro e direção de pai e filho (Paulo Morelli (“Cidade dos Homens” e “Viva Voz”) e Pedro Morelli) se apoia no psicológico de personagens bem construídos.
Felipe, interpretado por um Caio Blat inspirado, é um dos destaques da história. Felipe sobrevive a um acidente de carro em que o melhor amigo morre. Com a morte, temos o segredo que permeia por grande parte do filme, mas que logo é descoberto pelo espectador. A escolha da produção é certeira, não confiar simplesmente em quando o segredo será descoberto, mas como ele ronda o grupo e pode afetá-los.
A locação escolhida completa a ideia de liberdade e beleza exterior. É na beleza do verde e da casa muito bem montada que se passará toda a dificuldade exposta pelo tempo. Dez anos após o acidente o grupo se reencontra, e eles já não são mais os mesmos.
O elenco consegue desenvolver as ideias e propostas da direção. Além de Caio Blat, Maria Ribeiro, Júlio Andrade, Paulo Vilhena, Carolina Dieckmann e Martha Nowill mergulham nos sentimentos e preenchem a tela com todos eles. Trabalho conjunto competente e que, claro, transforma o longa. A trilha parece ora deslocada, ora bem trabalhada. O melhor uso desse artifício está nas cenas em que a música “Na asa do vento” de Caetano surge. O roteiro é bem trabalhado, tirando a parte em que o grupo discute sobre o 11 de setembro e a eleição de Lula. A cena se mostra forçada e tenta lembrar o espectador que estamos, ali, em 2002.
No fim, fica o gosto amargo de como as relações e as pessoas podem mudar com o tempo. É impossível sair do cinema sem fazer ligação com a própria história. E, por isso, “Entre Nós” já vale o ingresso.


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