Quando o trailer é lançado e não tem graça, o que esperar do filme completo? Essa é apenas uma das dúvidas que surge após mais de 1h30 de “Copa de Elite”. Usando fórmula desgastada, abusada descontroladamente por Hollywood, a sátira de outros filmes provoca poucos risos, com um elenco que poderia render muito mais.
Com texto nada inspirado (de Vitor Brandt e Pedro Aguilera), o resultado não é dos melhores. Mesmo com atores de destaque na comédia atual, como o protagonista Marcos Veras e a companheira de “Porta dos Fundos”, Júlia Rabello, o longa desperdiça situações que poderiam render ótimas tiradas. A sequência do morro, que começa brincando com anões e termina tirando sarro da ginástica olímpica, é só um exemplo. Não estou falando de preconceito, mas de uma sequência que se torna arrastada, uma piada esticada até o máximo para que provoque algum tipo de sorriso. O efeito contrário se repete na apresentação da personagem que imita Bruna Surfistinha e até mesmo na cena final, do jogo.
O assunto Copa do Mundo no Brasil poderia ser mais explorado, assim como a atual situação do brasileiro. Porém o filme parece feito somente pra quem curte paródias, perdendo aí a oportunidade de atingir um público ainda maior. Faltou um olhar mais ácido sobre as situações apresentadas. Os coadjuvantes estrelas também não acrescentam. No primeiro momento, Alexandre Frota como a mãe de Veras é até divertido, mas a piada não funciona quando o personagem está sozinho, assistindo ao jogo pela televisão, aparecendo em cenas curtas. Anitta está ali pra atrair os jovens que curtem o som dela. Aliás, a música "Show das Poderosas", com outro arranjo, é uma das poucas e boas sacadas de “Copa de Elite”. Rafinha Bastos está canastrão como sempre, dando a entender que a direção não soube dosar esse jeito bonachão do ator/apresentador. Rafinha é quem participa da cena mais engraçada do filme, numa brincadeira que envolve um Kikito.
Os destaques positivos são os personagens Zero Dois e Zero Meio, interpretados por Daniel Furlan e Milton Filho. São aqueles coadjuvantes que salvam as piadas, bem aproveitados em todas as cenas. Mesmo assim, “Copa de Elite” não funciona como produto completo e causa a mesma sensação que assistir a um viral da internet seis meses depois do lançamento. Uma pena para quem esperava uma comédia mais ágil e ácida.


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