Não se engane! “Confissões de Adolescente” não é mais um besteirol voltado ao público jovem. A versão cinematográfica da série de sucesso da TV Cultura mostra que é possível focar nesse público, sem cair no lugar comum das cenas escatológicas, do humor pastelão ou do texto meramente educativo e técnico.
20 anos depois da série e das versões para o teatro, o filme tenta se adequar às mudanças que aconteceram nesse período. O foco aqui são as transformações tecnológicas e de personalidade das diferentes gerações. O texto continua baseado no diário da atriz Maria Mariana, que também aparece no longa, na cena em que entrevista a personagem de Sophia Abrahão para uma possível vaga de emprego. O roteiro de Matheus Souza, baseado na obra de Maria, consegue ser o elo entre ficção e realidade e é o principal diferencial desse filme pra outros do gênero.
Além do roteiro, outros pontos importantes transformam o longa numa viagem sobre o começo, meio e fim da adolescência. A direção de Daniel Filho (“A Patrilha”, “Se Eu Fosse Você”) e Cris D'amato (das séries “Pé na Cova” e “As Brasileiras”) influencia de forma positiva todo o produto, desde a escolha dos ângulos até o trabalho do elenco. Os atores e atrizes mais jovens roubam a cena e conseguem envolver o espectador em cada uma das histórias apresentadas. São quatro irmãs, de idades, personalidades e “problemas” distintos. Karina (Clara Tiezzi), a mais nova, é nerd e vai encontrar o primeiro amor. Alice (Malu Rodrigues) está mais preocupada em como perder a virgindade. Bianca (Isabella Camero) não quer ser advogada como o pai (Cássio Gabus Mendes) e vive um amor escondido. Tina (Sophia Abrahão), a mais velha, já lida com as transições entre a adolescência e a fase adulta. Todas elas com seus momentos de destaque e muito bem representadas.
As irmãs da série original (Deborah Secco, a própria Maria Mariana, Georgiana Góes e Daniele Valente) voltam em participações rápidas, mas que podiam ser mais aproveitadas. A única a ganhar destaque é Deborah, no papel de mãe preocupada (ou neurótica, como disseram os jovens atrás da minha fileira no cinema). As partes em que o humor surge são espirituosas e realmente engraçadas, dando leveza aos assuntos espinhosos. Dois bons exemplos estão na tentativa do jovem em imitar o filme “Crepúsculo” e na vontade desesperada de perder a virgindade sem traumas e neuroses.
“Confissões de Adolescente” faz com que o público busque na memória as próprias experiências dessa fase. Uma reflexão que, por si só, já vale a ida ao cinema.


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