música Sky Ferreira

Sorte dela, sorte nossa

14:54Guilherme Correa

Imagina a felicidade de uma menina, aos 15 anos, conseguir o tão desejado contrato com uma grande gravadora. O que parecia sonho virou o pesadelo de Sky Ferreira. Sim, o sobrenome é do pai brasileiro, mas a cantora, atriz e modelo, hoje com 21 anos, nasceu em Los Angeles. Na terra onde os famosos chamam de casa, Sky também queria um lugar de destaque. 


O problema era a maneira como a gravadora queria lançar Sky. Mesmo sendo influenciada por Madonna e Britney, não era esse o caminho desejado por ela. Com pulso firme, foi tentando lançar, aos poucos, músicas que refletissem seu estado de espírito, com outras influências, além do bubblegum pop. Os primeiros singles oficiais, “17” e “One” mostram um som peculiar, unindo letras sinceras e vocais marcantes, doce ou numa pegada rock n’ roll. 


Mesmo sendo elogiada pela crítica com poucas músicas lançadas, a gravadora ainda não sabia ao certo o que fazer com a carreira da cantora. De 2009 até ano passado, Sky lançou dois EPs, “As If!” e “Ghost”, ambos aclamados por especialistas e pelo público. Nesse meio tempo, teve o álbum completo de estreia negado pela gravadora por três vezes, foi presa junta do namorado e trabalhou como modelo pra Calvin Klein e Adidas. Mesmo assim, ela seguiu seus instintos e conseguiu, enfim, lançar agora “Night Time, My Time”. 


Quem já conhece o som de Sky, não vai se decepcionar. O tão esperado álbum tem a cantora em seu melhor momento, unindo o que os EPs tinham de mais interessante. Estão ali a levada do pop anos 1980 (o ótimo primeiro single “You’re Not The One”), o grunge dos anos 90 (“24 Hours”) e o gênero ska (“Kristine”). A duplicação e ecos na voz dão um charme a mais à produção, criando um conceito que pode ser observado em todo o CD. A primeira música, “Boys”, consegue reunir muitas dessas influências, abrindo com maestria os trabalhos. 


“I Will” lembra os melhores momentos deThe Strokes e Artic Monkeys. Já a midtempo “I Blame Myself” tem uma levada calma, que contrasta com a letra forte, em que ela fala sobre a própria reputação. Outra letra forte é a de Omanko, uma gíria para o órgão sexual feminino em japonês.


Como seguirá a carreira de Sky, acho que nem ela mesma sabe. Mas pelo menos ela conseguiu um álbum lançado pra chamar de seu. Sorte dela e sorte nossa, que podemos ver e ouvir uma cantora pop menos previsível. 

Curti: O álbum “Night Time, My Time” traz o melhor de Sky Ferreira. Destaque pras músicas “I Blame Myself”, “Boys” e “Love in Stereo”.

Não curti: “Night Time, My Time”, a música que dá nome ao álbum. Tem um ar pesado, uma levada dark e encerra o álbum de forma bem melancólica. É uma trilha de filme de terror, a que eu menos gostei. 

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