A adaptação de livros para o cinema se tornou a galinha dos ovos de ouro para ambas as indústrias. O burburinho criado pela divulgação da sétima arte também garante boas vendas nas livrarias. Mesmo assim, é comum ouvir que a obra adaptada pra telona nem sempre consegue o mesmo êxito que nas páginas. “Jogos Vorazes: Em Chamas” deve entrar na lista das melhores adaptações que Hollywood fez nos últimos anos.
Li e gostei dos três livros da série, escritos por Suzanne Collins, mas admito que o primeiro filme não me cativou. Mesmo sendo fiel ao livro, faltou mostrar de forma clara a relação que a história tem com política, sociedade e violência. E são justamente esses quesitos, muito bem explorados no novo longa, que mostram como o enredo é bastante inteligente. A começar pela ideia de um reality show em que o vencedor é quem mata os outros adversários.
Em “Jogos Vorazes: Em Chamas” acompanhamos como estão Katniss (Jennifer Lawrence) e Peeta (Josh Hutcherson) após vencerem o jogo mostrado no primeiro filme. Mesmo campeões, eles enfrentam mais problemas, dentro e fora de onde vivem, o Distrito 12 – o mais pobre de Panem, com uma população submissa ao poder do Presidente Snow (Panem vem da expressão latina “panen et circenses”, pão e circo). E como toda desgraça é pouca, eles vão enfrentar mais um desafio imposto pelo presidente: um novo jogo só com os ganhadores das outras versões do programa.
O segundo filme ganha pontos ao explorar ainda mais os personagens. Jennifer Lawrence, mais uma vez, é o grande destaque ao interpretar uma jovem de 16 anos que ainda tem dúvidas de sua importância na história. Como qualquer pessoa dessa idade, Katniss tem medos, frustações e desejos, nuances que a atriz soube explorar. Woody Harrelson, que interpreta o veterano Haymitch, também rouba a cena com um personagem que podia ser totalmente caricato. A adição de Philip Seymour Hoffman como o criador dos jogos só torna o longa ainda melhor.
As cenas de luta e a transformação da arena onde se passa a batalha mostram que o orçamento maior da produção também influenciou na melhora dos efeitos. Mesmo quem não leu os livros deve se impressionar com a criatividade das situações criadas dentro da arena. A trilha sonora é bastante explorada, o que às vezes incomoda. Só em pouquíssimas cenas, mais emotivas, que ela some.
Mesmo com tantos pontos positivos, o fim do longa pode desagradar muitos espectadores, principalmente quem não leu os livros da série. A revelação de como o jogo termina pode passar a ideia errada de que não existem novas possibilidades do enredo pra continuação. Quem folheou a saga sabe que sim, existe um bom material pra ser usado nos últimos filmes. Mas e quem não leu? Vai comprar a ideia da continuação, dividida em mais dois longas? Levando em conta a grande bilheteria de onde o filme já foi lançado, sim.
Curti: A direção de Francis Lawrence. Francis mostra em cada filme que é muito mais que um diretor de videoclipes. “Jogos Vorazes: Em Chamas” tem o tempo certo, não é maçante, dosa o emocional com a ação e é muito superior ao primeiro filme da franquia.
Não curti: Será mesmo necessário dividir o último capítulo em dois filmes? Tanto a saga Crepúsculo como a de Harry Potter já mostrou que essa divisão peca sempre pelo exagero.


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