“Segredos de Sangue” é um filme que marca de forma bastante positiva. A história começa no dia em que a jovem India (Mia Wasikowska) completa 18 anos, mas também perde o pai num suposto acidente de carro. India é quieta, não gosta de ser tocada, espera ansiosa pela chegada da fase adulta, mas precisará lidar com a mãe Evelyn (Nicole Kidman), com quem tem uma relação distante, e com a chegada do tio do pai, Charlie (Matthew Goode), até então desconhecido por todos.
O enredo é simples, mas muito bem trabalhado nas mãos de Chan-wook Park, que também dirigiu “Old Boy” (2003) e “Sede de Sangue” (2009). O coreano aproveita cada detalhe para expor na tela detalhes de imagem e som que transformam o longa numa verdadeira experiência. As passagens de tempo, ao mostrar o tamanho dos sapatos ou o entrar/sair por portas, dão um charme a mais a produção.
A fotografia, belíssima desde os primeiros minutos do filme, mostra o cuidado com a estética de uma forma geral, assim como os ângulos escolhidos durante as cenas. As demonstrações de poder ou submissão estão ali, escancaradas, somente com uma posição diferenciada da câmera.
Além de tudo isso, temos atores que dão um banho. Mia Wasikowska, que se destacou na fraca adaptação de Tim Burton pra “Alice no País das Maravilhas” (2010), surge aqui num ritmo perfeito pra personagem que, ao longo do filme, vai se revelando. A cena do chuveiro, muito bem conduzida, é perturbadora e dá o tom exato da virada que o filma dará dali pra frente. Matthew Goode também surpreende e a veterana Nicole Kidman, como sempre, acerta mais uma vez (e mesmo com tantas intervenções no rosto, continua bela).
Ao misturar sexo, misoginia, vingança e terminar o filme de forma violenta, unindo tudo o que o diretor gosta de explorar em sua obra, Chan-wook Park pode se gabar de ter se dado muito bem em sua incursão pelo cinema norte-americano.
Curti: “Segredos de Sangue” no geral, é um filme muito bem executado. Direção, atuações e questões técnicas perfeitas tornam o filme numa grande experiência sombria, macabra e marcante.
Não curti: Quem acompanha os filmes de Chan-wook Park pode achar o longa um punhado de coisas que ele já apresentou em outras produções.


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