cinema Juan Diego Solanas

Altos e baixos

15:54Guilherme Correa

Ah, o amor. Sempre explorado das mais diversas formas pela sétima arte. Grande parte dos filmes mostra a clássica relação de Romeu e Julieta, o amor proibido, muitas vezes mesclando a felicidade e a tristeza do sentimento. E se o grande amor de sua vida vivesse num mundo invertido, refletido, com sua própria gravidade, acima do nosso mundo?

Parece complicado, mas não é. Antes de continuar a crítica, confere o trailer de “Upside Down”, pra poder entender melhor o que estou falando:


O filme trabalha com esse conceito tão criativo e abusa das diferenças existentes entre os dois mundos. De um lado temos a pobreza, exploração do petróleo, falta de incentivos na parte social, cultural e um povo controlado pelo governo do outro mundo, bem mais rico e tecnológico. A fotografia do filme também trabalha com a mudança de ambientes. O mundo do mocinho, sofredor, é escuro, chuvoso. O da mocinha é iluminado, claro, ensolarado. 

Além de lidar com essa diferença de realidade, o casal precisará encontrar formas de suportar a diferença gravitacional que existe entre os dois mundos. Efeitos especiais pra mostrar todas essas peculiaridades não faltam. E se num primeiro momento pode causar vertigem, logo você se acostuma com a proposta e fica maravilhado com as imagens presentes na tela. Todo o visual é bastante impressionante. A cena do restaurante, em que a mocinha degusta uma bebida do outro mundo é um detalhe divertido e que faz a diferença. 


Mas nem só de efeitos especiais e de uma ideia interessante sobrevive um filme. O roteiro é bastante arrastado, cai sempre no lugar comum e não traz nenhum diferencial além da proposta apresentada logo no início do longa. A produção se torna cansativa e parece muito maior do que realmente é. Jim Sturgess e Kirsten Dunst atuam sem grandes momentos, revelando uma direção sem inspiração de Juan Diego Solanas. Alguns diálogos também são sofríveis. 

Mesmo assim, indico "Upside Down", pela experiência de poder enxergar essa história inventiva. E dentre tantas comédias românticas bobas que assistimos por aí, esse romance misturado com ficção científica ainda fica acima deles. Mesmo que seja um filme com muitos altos e baixos.


Curti: A estética de “Upside Down” é muito bem trabalhada. O que podia ficar tosco, termina numa verdadeira viagem visual. 

Não curti: O roteiro e a direção não seguem no mesmo caminho criativo da ideia.

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