Bling Ring – A Gangue de Hollywood cinema

Laranja: uma cor nada agradável

16:59Guilherme Correa

Escrevi há algum tempo aqui no blog sobre o livro “Bling Ring – A Gangue de Hollywood”, de Nancy Jo Sales. Agora é hora de falar sobre o filme, baseado nesse livro, que chegou aos cinemas brasileiros depois de ter a estreia adiada por pelo menos duas vezes. O longa, escrito e dirigido por Sofia Coppola, mostra como jovens comuns viraram celebridades após invadirem casas de estrelas da música e do cinema norte-americano. 

A gangue do cinema

As primeiras cenas do filme dão uma noção ao que seremos apresentados. Vemos as silhuetas dos jovens ladrões pulando uma cerca e depois, somos convidados por aquela, que seria a vilã da história, a fazer compras. Isso mesmo. Pra aqueles jovens, invadir a casa dos famosos e pegar o que não lhes pertence era tão divertido quando uma tarde no shopping. Chega a ser chocante a frieza com que o grupo agia, algo que já tinha sido relatado no livro e que no filme é explorado por Sofia. 

Pra quem gosta do trabalho de Sofia, aliás, é um deleite observar como a diretora conta a história sem julgar - apenas relatando os fatos como eles são (ou como foram explorados pela jornalista Nancy Jo Sales). Fica a critério do espectador formar uma opinião sobre o que ele assistiu. Para os leitores mais fanáticos, uma boa notícia: o filme é bastante fiel ao livro, justamente por se tratar de uma história baseada em fatos reais. 

Sofia é mestre em apresentar problemas sociais e culturais de forma bastante sutil em suas obras, e isso fica explícito em “Bling Ring”. A supervalorização pelas celebridades, o culto a elas e o consumismo são mostrados com maestria. Mas também é banal demais achar que só isso fez com que esses jovens se tornassem ladrões. Amigos falsos, a falta de uma família mais atuante e até mesmo alternativas criadas pelo governo dos EUA, como a tal educação em casa, parecem ter cooperado pra que o grupo passasse das roupas de grife para os macacões laranja.

A gangue da vida real

Entre o elenco, Emma Watson se destaca. A eterna Hermione aparece sem o sotaque britânico e dá vida a patricinha Nicki, que na vida real é Alexis Neiers. A trilha sonora vai de M.I.A. com a ótima “Bad Girls”, passa por Frank Ocean com “Super Rich Kids”, Lil’ Wayne e outros nomes do Hip Hop/Rap. Seria uma forma de ligar a vida dos jovens aos gangsta style? Provavelmente. Outro destaque é a casa de Paris Hilton, usada como locação. Incrível como ela se ama, com tantos quadros com fotos dela mesma, algumas impressas até nas almofadas. Praticamente um altar pra Santa Paris. 

“Bling Ring” merece ser visto e discutido, numa época em que parece que perdemos o bom senso do que é público e privado, necessário e supérfluo.


Curti: As cenas das prisões e de quando os jovens são liberados. Mostra bem que, mesmo eles se dando mal, tiveram alguns minutos de fama. Era tudo o que alguns deles queriam, além do estilo de vida dos famosos. 

Não curti: Algumas partes são arrastadas. Mas isso não estraga o filme.

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