Se em “Contágio” (2011), o diretor Steven Soderbergh e o roteirista Scott Burns fizeram você passar álcool em gel por todo o corpo após assistir ao filme, após “Terapia de Risco” (2013) você pensará duas vezes antes de tomar qualquer remédio prescrito. E isso é bom, é uma maneira de demonstrar que o idealizadores do longa conseguiram atrair a atenção dos espectadores.
“Terapia de Risco” começa mostrando as dificuldades que Emily Taylor (Rooney Mara) enfrenta quando o marido dela, Martin (Channing Tatum), sai da cadeia. O que vemos é um casal jovem que entra em crise financeira e psicológica após a prisão de Martin. Com depressão, Emily tenta se matar, não consegue, e procura ajuda médica pra enfrentar a doença.
A verdade é que o filme, ao longo das horas, muda completamente e é preciso tomar cuidado pra não revelar nenhum spoiler. O que posso dizer é que um dos destaques do roteiro é uma crítica à indústria farmacêutica. Os protagonistas mudam durante o longa. De maneira perspicaz, somos levados a acreditar em determinados momentos que certa pessoa é boa e outra é a vilã. No final, temos mais reviravoltas, tudo abordado de forma convincente.
O trabalho de Steven, ótimo em qualquer gênero, também mostra até que ponto chega o homem e suas ambições. A fotografia do filme opta pelo cinza, longe da felicidade vendida pelos remédios contra depressão. Rooney Mara surpreende em seu segundo papel de destaque, depois de “Os Homens que não Amavam as Mulheres” (2012). Não sou fã de Catherine Zeta-Jones, mas aqui ela consegue manter a linha entre o suspense e a sensualidade exigida pelo personagem. Porém, o filme é de Jude Law, que faz o psiquiatra que cuidará de Emily. Com um texto excelente e uma atuação pontual, Jude consegue situar o telespectador nas mudanças que o roteiro exige.
No fim, “Terapia de Risco” é dinâmico, nem um pouco arrastado, é inteligente em sua história e merece ser assistido. Com ou sem prescrição.
Curti: Jude Law. O ator, que poucas vezes se destaca e até se mostra repetitivo, aqui consegue convencer.
Não curti: A tal aposentadoria precoce de Steven Soderbergh. O diretor já disse que deve parar os trabalhos em breve. Alguém medica o homem pra que ele mude de ideia!


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