Betse de Paula cinema

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15:07Guilherme Correa

“Vendo ou Alugo” prova que o cinema brasileiro pode viver sem imitar as novelas. Ainda mais no gênero da comédia, onde a linguagem e o estilo da telinha invadem as telonas, mostrando falta de criatividade, mas a esperteza de levar público ao cinema. É uma boa surpresa, uma chanchada com pontos positivos.


A trama se passa no Rio de Janeiro, mais precisamente no bairro do Leme. Ali, num grande casarão decadente, vive Maria Alice (Marieta Severo), sua mãe (Nathália Timberg), filha (Silvia Buarque) e neta (Beatriz Morgana). A família que já viveu muito bem, hoje lida com a crise econômica. A casa, que foi palco de grandes encontros da alta sociedade, agora fica na porta de uma favela. Realidade vivida pelos moradores do Rio, que precisaram se acostumar com a geografia complicada da cidade. 

Com tantas pessoas numa casa gigante, enfrentando uma crise, cheias de dívidas, não resta outra solução pra família, a não ser vender a residência. Pra isso, elas apelarão pra todas as formas possíveis. O objetivo é conseguir a grana, pagar as contas e viver bem.


Mesmo refletindo uma realidade bem carioca, é impossível não se identificar com algumas das situações. O que o filme talvez explore melhor é o tal jeitinho brasileiro, famoso pelo mundo, que pode servir pra coisas boas ou não. Tudo a partir de situações simples, cotidianas, com diálogos bastante inteligentes, o que difere esta comédia das outras. 

A direção de Betse de Paula é um alívio, foge totalmente das características televisivas, brinca com plano-sequência e traz o que os atores tem de melhor. Marieta Severo brilha, assim como Nathália Timberg e Maria Assunção, no papel da empregada Graça, que faz de tudo. Reza, faxina, cozinha e tenta ajudar na venda da casa. Com personagens bem escritos, direção competente, elenco de primeira e piadas espertas, “Vendo ou Alugo” é ar novo pra comédia brasileira.


Curti: Marieta Severo e Maria Assunção têm os melhores momentos do filme. Aliás, a empregada Graça é daqueles personagens secundários que roubam a cena. É bom destacar também o texto do longa, que faz piadas interessantes com o cotidiano. 

Não curti: Quase no final, acontece uma situação bem constrangedora, no único momento pastelão de” Vendo ou Alugo”. Desnecessário.

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