É no contato com a natureza que o homem parece se encontrar. A tecnologia avançada ainda não substituiu (e talvez nunca substitua) a sensação de liberdade encontrada em locais abertos com vento, verde, água, Sol ou Lua. E foi numa das trilhas mais difíceis dos EUA que Cheryl Strayed pôde refletir sobre os momentos complicados que enfrentou após a morte da mãe. História real e que chega aos cinemas em “Wild”.
Cheryl, interpretada por Reese Whiterspoon, espera que a trilha de quase dois mil quilômetros seja o caminho da redenção e do conhecimento. A morte da mãe - elo dela com a vida e com a felicidade - tornou Cheryl numa pessoa desacreditada e com grande poder de autodestruição. Bebida, sexo e drogas promoveram fugas temporárias de alegria e a separação do então marido foi o estopim pra que ela repensasse o presente, focando num futuro menos catastrófico. É aí que começa a viagem. Com uma mochila enorme, cheia de quinquilharias pra seguir a trilha, acompanhamos a protagonista pelas belas paisagens.
Não há espaço para momentos de aventura. O longa é um drama e a direção do Jean-Marc Vallée (do ótimo “Clube de Compras Dallas”) não se perde em chavões ou mudanças repentinas de roteiro. A viagem segue em ordem cronológica e durante o trajeto somos apresentados a alguns flashbacks, minutos preciosos pra entender como a protagonista está psicologicamente. O filme não poupa Cheryl, nem o espectador, explorando os momentos difíceis enfrentados por ela.
Coincidência ou não, é no filme que Reese Whiterspoon, que há tempos não tinha um papel de tanto destaque após ganhar o Oscar por “Johnny e June”, se encontra também. O papel é extremamente difícil e a personagem ocupa 100% das cenas. Reese consegue tocar o espectador nos momentos de fragilidade ou que requerem força, sem exagerar na dose. Dois bons exemplos: quando Cheryl se desfaz das botas e quando encontra no sexo não um anseio desenfreado, mas o controle sobre seus instintos. São quando a direção, o enredo e a atuação de Reese formam um time campeão, num filme cativante, inspirador e tocante.


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