É de bom grado evitar os olhos da boneca. Eu quase não consigo, porque sim, admito, sou medroso. Mas não consigo deixar de assistir aos filmes de terror ou suspense. E no meio de tantos longas ruins, eis que “Invocação do Mal” foi lançado ano passado trazendo fôlego ao gênero. O filme de 2013 começa falando justamente da “Annabelle”, boneca assustadora que agora ganha um filme próprio. Já aviso: não encare os olhos dela ou terás pesadelos.
Após esse aviso, saiba que sim, “Annabelle” é um bom suspense. E por ter a mesma equipe que “Invocação do Mal”, segue o mesmo estilo. O que mais me agrada, em ambos, é como o medo é criado pra atrair e entreter o espectador. Imagens em close dos dedos próximos da agulha na maquina de costura são aflitivas, mesmo quando não há sangue envolvido. Aliás, a pouca presença de sangue é outro ponto positivo dessas produções.
A história da boneca se desenvolve a partir da gravidez do casal principal e após a casa deles ser invadida por dois fanáticos de uma seita. É quando a família quase perfeita se encontra em meio ao caos criado por algo inesperado e desconhecido. A direção e o roteiro se debruçam na relação 'marido e mulher' pra que o público possa se sensibilizar, sem deixar com que o longa se torne um drama. Tudo na dose certa. Quando a força sobrenatural começa a agir, o tom muda, sem exagero.
Mas nem tudo é perfeito. O casal de protagonistas e a maioria dos coadjuvantes não são conhecidos do grande público e isso não é problema. A questão é que eles não conseguem alcançar o tom necessário exigido pelo suspense. A mãe (Annabelle Wallis), principal atormentada pela boneca, é quem surpreende pela naturalidade da atuação. Outro problema é o final escolhido, solução nada inteligente pra um filme que consegue crescer até os últimos minutos. É um clímax que provoca riso e indignação. E, sinceramente, não sei como alguém pode achar aquela boneca bonita e digna de completar uma coleção.
No todo, “Annabelle” consegue o que promete: ser um bom suspense, criar um clima de aflição e ansiedade, mantendo o público ligado do começo ao fim. Para os mais atentos, fique de olho: uma réplica da verdadeira boneca aparece rapidamente em uma das últimas cenas. Ou seja: medo em dose dupla.


2 comentários
Excelente resenha! Assisti o filme e o achei muito bom. :)
ResponderExcluirOi Leone Borges, obrigado pela visita! :)
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