Dizem que a desilusão inspira - independente da arte usada como forma de expressão. “Mesmo Se Nada Der Certo” surge não pra apoiar a ideia, mas pra mostrar de forma bastante sincera que nem tudo se impõe e muito se aceita. O filme, dirigido e roteirizado pelo também músico John Carney, consegue com bastante competência ir além das típicas comédias românticas.
Os personagens do longa passam por momentos difíceis. Dan (Mark Ruffalo) é um produtor musical esquecido pelo público e pelo mercado. Gretta (Keira Knightley) sofre a separação do então amado, Dave (Adam Levine), músico que a troca assim que consegue fama. E a música, claro, é o ponto de encontro entre Dan e Gretta. Dan enxerga na cantora indie abandonada uma possibilidade de voltar com força ao mercado. Ela quer aproveitar a oportunidade e o talento, numa tentativa de deixar pra trás a nuvem negra que cismou em aparecer.
A direção certeira de John Carney apresenta a história de modo cativante. O trabalho feito com os atores também é um diferencial. Dos principais aos coadjuvantes, músicos ou não (como Adam Levine do Maroon 5 e CeeLo Green), todos se encaixam com a proposta. A trilha sonora, com letras inspiradas, é o complemento perfeito de uma receita deliciosa, que não pesa e provoca uma sensação gostosa ao ser apreciada.
O desenvolver da história é ainda mais surpreendente por não seguir caminhos simples ou clichês. Não existem casais formados somente pra agradar certo público, nem solução criada na base do “viveram felizes para sempre”. É ficção, mas é orgânico, respeita a ordem natural dos fatos. É aquele tipo de história que se encaixa com o espectador por explorar sentimentos, criando empatia logo de cara. “Mesmo Se Nada Der Certo” é uma ótima surpresa.


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