O ilusionismo volta a fazer parte de um filme de Woody Allen. Como em “Scoop – O Grande Furo” (2006), “Magia ao Luar”, lançado este ano, tem na mágica o ponto de partida da história. Os primeiros minutos mostram os números apresentados pelo alter ego oriental de Stanley (Colin Firth). Disfarçado de Wei Ling Soo, Stanley realiza shows pelo mundo além de desmascarar médiuns charlatões. Pra ele, o ocultismo nada mais é que uma grande balela. Mas uma viagem à França fará com que Stanley questione a existência das ciências ocultas ao conhecer a bela e jovem Sophie (Emma Stone), americana famosa por causa dos poderes psíquicos.
Ao longo do filme temos a dúvida que cerca o personagem principal: será que Sophie é mesmo médium ou esperta o bastante para ganhar dinheiro em cima do assunto? A resposta chega no final, mas até lá temos um roteiro simples, atuações agradáveis, trilha exemplar e diálogos ácidos contemplando as diferenças entre a jovem alegre e o mágico ranzinza. Como em muitos filmes de Allen, a juventude aparece como centro das atenções, transbordado entusiasmo. A escalação de Emma Stone é certeira, tornando Sophie carismática o bastante pra atrair Stanley e o público. Aos poucos, o ilusionista começa a observar a vida com mais cor, como as paisagens do longa.
Ao mesmo tempo em que se parece com outros filmes do diretor, “Magia ao Luar” se diferencia por ser mais simples, menos mirabolante. Não temos soluções espalhafatosas, teorias loucas e pontas soltas. Para alguns, pode parecer enfadonho. Pra outros, um ar novo no meio de tantas produções sufocantes. Allen preza pelas falas e sabe como ninguém explorar o melhor de seus atores, o que explica as boas participações do elenco secundário, com destaque para Eileen Atkinse (Cold Mountain) e Hamish Linklater (da série “The Crazy Ones” e “The Newsroom”).
A trilha sonora, os figurinos e a fotografia nos transportam para os anos de 1930 de modo bastante agradável. Aos 78 anos e com tantos filmes produzidos, é pretensioso demais tentar rotular se este é ou não um dos melhores filmes de Allen. O que não dá pra negar é que Woody sabe, muito bem e como ninguém, contar uma boa história.


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