Antonio de la Torre Caníbal

Garfo e faca

07:15Guilherme Correa

O canibalismo já foi retratado diversas vezes no cinema mundial. De “Hannibal” ao mais recente “Somos o Que Somos”, o tema geralmente aparece no gênero do terror. Pra quem gosta de rótulos, o espanhol “Caníbal” também trata de um canibal, mas deve aparecer nas prateleiras do drama.


Carlos vive em Granada e é um respeitado alfaiate. Trabalho feito com afinco e que ocupa grande parte do dia. Em casa, suas refeições são feitas só de carne humana, geralmente mulheres. O que é degustado com calma e uma dose de vinho. Pra conseguir o alimento, ele pratica crimes muito bem executados e que até hoje não despertaram desconfiança.

O diretor, Manuel Martín Cuenca, e os roteiristas de “Caníbal” optaram por não mostrar o passado do personagem. A sequência inicial é de um dos crimes cometidos pelo alfaiate. Dali pra frente, seguimos na ordem cronológica, sem grandes passagens de tempo ou flashbacks. Essa falta de elementos, mais a naturalidade com que Carlos (Antonio de la Torre) é retratado, dá um toque especial ao filme. O espectador sabe que está diante de um serial killer, mas não sabe o que motiva esse sadismo.


Uma mudança em Carlos será vista e sentida somente com a chegada de Nina. A jovem está à procura da irmã, que desapareceu. A irmã dela trabalhava como massagista e era vizinha de Carlos. A história se desenrola de forma interessante, tem trilha sonora marcante, além de cenas bem elaboradas. Tudo é mostrado ao seu tempo, sem pressa. Os mais afobados podem se incomodar com o ritmo do filme, mas ao meu ver, tudo está ali de forma natural, bem explorada, dando o tom necessário e imaginado pela produção. A cena em que ele corta o tecido de lã se contrapõe a força exigida na caça das vítimas. Uma cena que pode parecer simples e consegue ampliar a visão sobre o personagem.


O destaque também fica por conta da atuação de Antonio de la Torre. Com poucas palavras, mas um olhar, um toque ou uma expressão que torna o personagem intrigante e um dos principais atrativos do longa. E não, o filme não mostra sangue, corpos mutilados e coisas do tipo. “Caníbal” se mostra mais do que apenas um terror qualquer sobre canibalismo.

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