É quase impossível não sofrer o impacto emocional provocado por uma sessão de “12 Anos de Escravidão”. O mais recente filme do diretor Steve McQueen (“Shame”) é uma obra-prima do cinema atual sobre um assunto ainda enraizado em nosso cotidiano. A produção, do início ao fim, da trilha às atuações, consegue manter o espectador atento em suas mais de duas horas.
A história é baseada em fatos reais e mostra Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), escravo liberto, letrado e ótimo violinista, sendo sequestrado em 1841 e forçado, ilegalmente, a voltar ao trabalho escravo em fazendas dos EUA. Martírio de 12 anos, como diz o nome do filme. Ali ele viverá, mais uma vez, o sofrimento que esses trabalhadores eram submetidos. Algo bem diferente das primeiras cenas dele com a família.
Assim que o sequestro acontece, somos apresentados à brutalidade da história, algo presente nos diálogos e imagens. Chiwetel Ejiofor (“Salt”, “2012”), que interpreta o personagem principal, presenteia o público com uma atuação comovente, principalmente ao conter as emoções em momentos difíceis enfrentados por Solomon. A estreante Lupita Nyong'o aparece menos, mas de forma igualmente marcante. É ela quem sofre nas mãos do fazendeiro vivido por Michael Fassbender, outro ator que consegue expandir ainda mais os sentidos de quem assiste ao filme. Brad Pitt também integra o elenco e traz um dos diálogos mais interessantes e memoráveis do longa.
O elenco de destaque é reflexo da direção inspirada de McQueen. Qualidade que é observada em outros aspectos de “12 Anos de Escravidão”. Mesmo que a violência seja um dos temas abordados, ela não entra em confronto com o principal: a história em si. Algumas passagens de tempo intrigam o espectador, que em certo ponto, sabe localizar quando e onde aconteceu aquilo que foi mostrado anteriormente.
Além de ser um dos melhores filmes lançados ano passado e que concorre ao Oscar este ano, “12 Anos de escravidão” é uma daquelas produções pra vida toda.



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