cinema Lee Daniels

O filho do mordomo

13:51Guilherme Correa

Lee Daniels, diretor do aclamado e tocante “Preciosa” (2009), está de volta com um filme que tenta emocionar, mas que se mostra exagerado. “O Mordomo da Casa Branca” (2013) arrematou o Globo de Ouro deste ano, mas não foi indicado ao Oscar. Nele acompanhamos Cecil Gaines (Forest Whitaker) e sua família. Cecil tem origem extremamente pobre e acaba dentro da Casa Branca, local que nunca imaginaria estar. A história é baseada livremente na vida de Eugene Allen, mordomo de confiança por 30 anos de diferentes presidentes dos EUA. Dizem que a história do filme é bem mais fantasiosa do que real. 


Os primeiros minutos do filme mostram Cecil dentro da Casa Branca. A passagem é rápida e logo somos levados aos primeiros anos de vida do personagem. A rotina no campo de algodão é difícil e a morte repentina da mãe, interpretada por uma Mariah Carey bem diferente da dos palcos, mudará pra sempre a vida de Cecil. A perda da matriarca dá lugar à dor e ao aprendizado. Na casa do terreno onde o crime aconteceu, ele começa os primeiros trabalhos como mordomo. O que Cecil aprendeu ali o seguirá por quase toda a sua vida: o modo de servir e de lidar com os sentimentos. 


Ao longo da produção, observamos o crescimento e as conquistas que o trabalho trouxe. Também conhecemos a família que ele formou - a mulher (Oprah Winfrey) e os dois filhos. O filho mais velho ganha destaque na trama pela luta contra a opressão dos negros entre 1967 e 1982. 

A impressão que o filme passa é de que além de servir, Cecil era responsável por algumas das decisões tomadas pelos presidentes. O personagem vai ganhando ares de herói de maneira forçada, numa trama perfeitinha e redonda até demais. A fotografia é simples, a trilha sonora também e o diretor não parece correr riscos. Talvez a maior ousadia seja a escolha peculiar de elenco, um amontoado de celebridades que vai de Oprah Winfrey, Lenny Kravitz, Jane Fonda até Robin Williams. Nenhum deles chama a atenção pela atuação e sim pela fama que tem fora das telas ou até mesmo pelo trabalho duvidoso da maquiagem. Dá pra ver a peruca, as marcas de expressão mal feitas.


São nos detalhes que o longa se distancia do público. Parece mais um telefilme B do que uma produção para o cinema. Falta a emoção e as atuações marcantes de “Preciosa”, um dos melhores e mais intensos trabalhos de Lee Daniels. Na segunda parte do filme até parece que estamos assistindo a um produção que fala da vida do filho de Cecil, causando estranheza. E a história interessante do mordomo negro e pobre que trabalhou para tantos presidentes se perde em meio aos clichês. Uma pena. 

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