cinema O Doador de Memórias

Esquecível

23:17Guilherme Correa

Jovens lutando contra um governo autoritário. Eles nascem sem saber qual função exercerão até completarem certa idade. E não se encaixar em nenhum rótulo estipulado pelo autoritarismo fará com que esses jovens vivam aventuras e virem heróis. Quem assistiu “Jogos Vorazes” e “Divergente” já conhece essa história que, mais uma vez, chega aos cinemas. Agora com o título “O Doador de Memórias”, dirigido por Phillip Noyce (“Salt”). Diferente dos dois primeiros títulos citados, “O Doador de Memórias” é bastante fraco e inferior.


O longa, baseado no livro “O Doador” de Lois Lowry, é cansativo e sem graça, assim como o mundo em que os personagens vivem. Lá ninguém sente emoção e todos nascem com um propósito. A explicação pra isso é que os mais antigos apagaram das memórias todos os males da humanidade, formando uma nação de pessoas boas, mas totalmente controladas. O receptor (Jeff Bridges) é o único que sabe o que aconteceu e tem a missão de repassar tudo a Jonas (Brenton Thwaites). Ao descobrir como o mundo realmente era, Jonas dará um jeito de fazer com que todos voltem a sentir emoções e vivam sem amarras. Pra isso, o filme apostará nos mais diversos clichês, presentes em cada detalhe.


A fotografia começa em preto e branco e só Jonas e o receptor são capazes de notar as cores. A trilha surge pra ressaltar tristeza ou exaltar a ação. A edição conta com imagens conhecidas, da bomba atômica a Nelson Mandela, tentando aproximar ficção e realidade. O resultado revela uma direção sem foco num público específico, atirando pra todos os lados. É ficção, mas usa de fatos históricos. É vendido no trailer com ação, mas são poucos os momentos vibrantes. Sem esquecer, claro, do amor proibido e da reviravolta.


O final é extremamente decepcionante, sem clímax e com vários assuntos não encerrados. Ao invés de provocar o espectador com temas mais sérios - como o totalitarismo, a guerra, moral e ética - o filme se torna raso e aparenta ter muito mais do que as quase duas horas. Há de destacar as atuações da dupla de protagonistas jovens. O casal Jonas e Fiona, interpretados por Brenton Thwaites e Odeya Rush, consegue emocionar e atrair a atenção. Uma pena que o texto e a direção não seguem na mesma linha. Outros nomes como Alexander Skarsgård, Katie Holmes, Taylor Swift e até mesmo Maryl Streep apenas marcam presença, sem grandes destaques. Sem emoção e sem carisma, “O Doador de Memórias” é esquecível.

Você também pode gostar

0 comentários