cinema Ela

Solidão conectada

09:00Guilherme Correa

Dizem que a internet aproxima as pessoas. O virtual até pode trazer essa sensação por alguns minutos, mas a realidade nos mostra que a distância existe. E isso dói. Sentir-se só independe do local e da proximidade. Pode ser em meio à floresta coberta de neve ou no centro da cidade movimentada, como mostra a parte final do filme “Ela”.


Mas “Ela” não é só um filme sobre solidão ou tecnologia. A história nos apresenta o escritor Theodore (Joaquin Phoenix), homem triste, que acaba de se separar da mulher que considerava ideal. A vida de Theodore muda ao instalar um novo sistema operacional que promete preencher esse vazio. É um programa de inteligência artificial que reage de acordo com as emoções do cliente. As respostas vêm na voz de Samantha, entoada pela atriz Scarlett Johansson.


O roteiro e a direção de Spike Jonze ( de “Onde Vivem os Monstros” e do ótimo “Adaptação”) mostram um futuro não tão distante onde as pessoas parecem não observar mais o local em que elas estão, o meio em que vivem, as pessoas ao redor. Isso é notório em diversas cenas e não se distancia em nada do mundo em que vivemos atualmente. Uma bolha em que cada um se enfia e demora pra sair.

O filme funciona por mostrar a solidão e o amor entre homem/máquina de forma convencional. Estão ali o carinho, a confiança ou falta dela, o ciúme, a necessidade de observar o outro, de conversar. Em nada parece um filme de ficção científica e não se distancia do espectador em nenhum instante. Provoca risos, mas principalmente a emoção. Traz questionamentos, sem colocar a culpa diretamente na tecnologia. Sentir o Sol na praia, conversar com os amigos, fazer uma viagem, isso tudo poderia ser aproveitado por Theodore com outras pessoas ou até mesmo sozinho, por exemplo. 


Joaquim Phoenix dá um show de sensibilidade e interpretação. O visual dele e toda a estética do filme é geek, atual em alguns pontos – antiga em outros, e bem bacana. Mesmo não aparecendo em nenhum momento, a voz de Scarlett Johansson se mostra marcante. Amy Adams surge, como sempre muito bem, numa participação menor, mostrando mais uma vez a grande atriz que é. E ainda tem a trilha, outro ponto brilhante do filme. Destaque pra belíssima voz e letra de Karen O em The Moon Song. “Ela” é melancólico, belo e cheio de dúvidas. Afinal, o que é real?


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