Alfonso Cuarón cinema

Para o alto e avante

10:36Guilherme Correa

Algumas das definições dadas à palavra agonia no dicionário são de “junção de fenômenos que anunciam a morte, ânsia, angústia, aflição”. Todas elas expressam bem o que “Gravidade”, de Alfonso Cuarón, provoca. 


O filme mostra a viagem espacial feita pela cientista Ryan (Sandra Bullock) e pelo astronauta Matt (George Clooney). Eles precisam consertar o telescópio Hubble quando são surpreendidos por uma nuvem de detritos. A partir daí, eles lutarão para sobreviver isolados no espaço, sem ter comunicação com a Terra. Mesmo com efeitos especiais de tirar o fôlego - quase todas as cenas foram criadas digitalmente - o que chama mesmo a atenção são as experiências psicológicas que os protagonistas enfrentam. 

O longa é todo de Clooney e Sandra, duas grandes estrelas que sabem conduzir os papéis. Alguns diálogos, que podem parecer sem nexo, estão ali pra explorar as características de cada personagem. A ideia de estar sozinho, num local isolado, sem contato com outras pessoas e sem ajuda torna o filme agoniante, com todos os sentidos que a palavra pode ter. 


Em alguns momentos, a câmera muda de posição, mostrando a visão do personagem de dentro do capacete. Diferencial que torna o filme vencedor na arte de manter o espectador atento. Sequências longas, que mostram a destruição provocada pela nuvem de detritos, são executadas com maestria, cheias de detalhes, numa junção de suspense e drama. Não sou fã dos filmes em 3D, mas em “Gravidade” o artifício é usado com moderação, na mão exata pra que o efeito não roube toda a atenção.

Claro que existem alguns detalhes bem específicos, deletados por astronautas e cientistas de verdade. Um deles, por exemplo, é que Hubble e a estação espacial estão em órbitas diferentes e que seria impossível ir de uma até a outra. Óbvio que esses detalhes passarão despercebidos e, por isso, não tira o mérito da produção.

Uma coisa é certa: se você tem uma imagem mais romântica do espaço, prepare para mudar de opinião. Gravidade zero, isolado, sem comunicação com a Terra e a batalha psicológica exigida pelas adversidades fazem com que o espaço se torne mais uma ameaça do que uma simples possibilidade de viagem no futuro. 


Curti: “Gravidade” ganha muitos pontos ao se dedicar aos personagens, e não aos efeitos especiais. 

Não curti: Por que muitos cinemas não optam por sessões em 2D? “Gravidade”, em especial, usa o artifício com delicadeza e poderia ser muito bem apreciado sem os óculos especiais.

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