cinema. Danny Boyle

Menos é mais

21:39Guilherme Correa

Tem filmes que entram pra história por ter uma trama original e por brincar com o espectador. Mas muitos diretores parecem se divertir com a ideia de fazer o público de bobo, apostando em reviravoltas mirabolantes. E o que poderia tornar a obra em algo memorável, se transforma num produto enfadonho e pretencioso. Foi essa a impressão que tive após assistir “Em Transe”.


O filme conta a história de Simon (James McAvoy), que trabalha em leilões de peças de arte e acaba envolvido com uma gangue responsável por roubos de quadros. Para se livrar dos problemas, dívidas e da gangue, ele procura uma hipnoterapeuta (Rosario Dawson). Ela terá a difícil missão de ajuda-lo a lembrar de onde está uma tela, resultado do último assalto feito pelo grupo. A premissa, original e muito bem trabalhada nos primeiros minutos, poderia ser, facilmente, o melhor longa do ano. Poderia.

Tinha tudo pra dar certo. A direção de Danny Boyle (“Trainspotting”,” Extermínio”, “127 horas”, “Quem Quer Ser Um Milionário”) é, como sempre, inspirada. Cada luz, cada tomada, cada risco que ele corre com um ângulo diferente torna a sessão ainda mais divertida e nos coloca dentro desta viagem pela mente dos personagens (mera coincidência com “A Origem”). A ideia de juntar os problemas vividos na trama com as obras de arte apresentadas também merece méritos, assim como a edição, já conhecida dos trabalhos de Boyle. 

O que estraga o filme é essa cisma de tentar arranjar reviravoltas só pra que o espectador saia da sala se sentindo a pessoa mais idiota do mundo. Quando achas que o filme acabou, vem mais uma descoberta que, na verdade, você nem vai lembrar depois que assistir ao longa. As falhas no roteiro também não são poucas e os mais detalhistas vão notar todas elas. Desde a contratação de uma pessoa com problemas em jogos de azar pra trabalhar com leilões até na hora de contar quantas balas podem sair de um revólver em tão pouco tempo. 


Sobre as atuações, destaque pra Rosario Dawson, que desempenha muito bem o papel de mulher fatal/hipnotista e que parece ter fetiche em aparecer nua em praticamente todos os filmes que participa. James McAvoy convence, mesmo sempre lembrando Ewan McGregor, e Vicent Cassel sendo Vicent Cassel, o malvado, o vilão. 

A sensação pós-filme é de que falta uma boa conclusão e que sobra muitas reviravoltas desnecessárias. Meia hora a menos de longa poderia resolver o problema. Da próxima vez, Boyle, contenha-se. 

Sim, o trailer é melhor que o filme. 

Curti: Mesmo com um filme irregular, Danny Boyle consegue deixar sua marca. A estética de “Em Transe” é muito boa e o diretor não mede esforços na hora de experimentar novos ângulos ou de quebrar paradigmas. 

Não curti: Com falhas no roteiro, o longa, que tinha tudo pra ser um filmaço, peca pelos excessos e por tentar ser mais inteligente que o espectador. Não foi dessa vez.

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