Não tem erro. Tudo o que minha mãe diz, acontece. Se eu não
levo um casaco naquela noite fria é batata: fico resfriado. E tenho certeza
absoluta que na sua casa acontece a mesma coisa. O poder que essas mulheres têm
é mesmo sobrenatural. Zelosas e sensitivas, mãe é uma figura participativa e,
vira e mexe, vira tema central de algum filme.
Dois longas brasileiros recentes que me marcaram pela presença forte das mães
na trama foram “Zuzu Angel” (2006) e “Cazuza – O tempo não para” (2004). Dramas
que mostram como a perda dos filhos transformou a vida dessas mulheres. Só que
este ano, uma comédia entra pra essa lista com louvor. Sim! Com muitas risadas
é possível tornar a mãe em algo que por vezes parece algo tão caricato, ao
mesmo tempo tão real.
Antes de falar do “Minha mãe é uma peça – O filme”, é preciso falar de Paulo
Gustavo. O ator tem 34 anos e desde 2011 apresenta no Multishow o 220 Volts,
que fala sobre situações cômicas e constrangedoras do dia-a-dia. O mais bacana
é que o programa não faz rir usando baixaria ou piadas forçadas. Sem falar do
talento do ator, que ainda não se rendeu à televisão aberta.
Agora sim, vamos ao filme, que é baseado numa peça de teatro de mesmo nome,
monólogo, em que Dona Hermínia conta suas felicidades e dramas de padecer no
paraíso. Só a atuação de Paulo Gustavo
já vale uma nota 10. O tom da voz, os trejeitos, os tiques - tudo nos leva a
crer que sim, estamos diante de uma senhora, separada, mãe de dois filhos.
Diferente
do teatro, o filme conta com outros personagens, que ganham forma e divertem o
telespectador. Os filhos de Dona Hermínia, Marcelina (Mariana Xavier) e Juliano
(Rodrigo Pandolfo) são praticamente um saco de pancadas da mãe, mas também
aprontam das suas. A cena em que a mãe busca a filha na balada, de pijama, é
daquelas pra chorar de rir. E sim, ela aconteceu na vida real, com o próprio ator.
Samantha Schmütz também merece destaque, como a
empregada Valdéa, cheia de papas na língua, frases de efeito e muita atitude, assim como outros atores. De
modo geral, o filme funciona muito bem. Tem piadas rápidas, simples e usam coisas do cotidiano da família. Algumas delas se tornam repetitivas,
como as com a filha gordinha. E a participação da atual mulher do ex-marido
parece fraca. Ingrid Guimarães já provou que é engraçada e o personagem,
naquele contexto, tinha tudo pra ser bem mais teatral e caricato.
Sinceramente, fazia tempo que não ria tanto com uma comédia brasileira. Melhor
crítica? Minha mãe ao telefone:
- Filho! Amei o filme! Nossa. Tudo ali é
assim mesmo. A gente faz de tudo pelo
filho e eles nem aí pra gente, né. Um sarro. Muito engraçado!
E eu sou louco de discordar dela?
Curti: Filme simples, piadas bacanas, sem excessos. Até as
propagandas, presentes em 100 de 100 filmes brasileiros, aparecem de forma
inteligente. Paulo Gustavo está impecável no papel principal, um personagem
forte, rico e cativante. E não saia do cinema antes da hora!
Não Curti: Piadas com a filha gordinha. Somente essas se
excedem. No início, são divertidas, depois, perdem um pouco a graça.
1 comentários
Paulo Gustavo é um desses caras gênios do humor.
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