cinema. Minha mãe é uma peça - O filme

Mãe sabe tudo

10:29Guilherme Correa



Não tem erro. Tudo o que minha mãe diz, acontece. Se eu não levo um casaco naquela noite fria é batata: fico resfriado. E tenho certeza absoluta que na sua casa acontece a mesma coisa. O poder que essas mulheres têm é mesmo sobrenatural. Zelosas e sensitivas, mãe é uma figura participativa e, vira e mexe, vira tema central de algum filme. 

Dois longas brasileiros recentes que me marcaram pela presença forte das mães na trama foram “Zuzu Angel” (2006) e “Cazuza – O tempo não para” (2004). Dramas que mostram como a perda dos filhos transformou a vida dessas mulheres. Só que este ano, uma comédia entra pra essa lista com louvor. Sim! Com muitas risadas é possível tornar a mãe em algo que por vezes parece algo tão caricato, ao mesmo tempo tão real. 

Antes de falar do “Minha mãe é uma peça – O filme”, é preciso falar de Paulo Gustavo. O ator tem 34 anos e desde 2011 apresenta no Multishow o 220 Volts, que fala sobre situações cômicas e constrangedoras do dia-a-dia. O mais bacana é que o programa não faz rir usando baixaria ou piadas forçadas. Sem falar do talento do ator, que ainda não se rendeu à televisão aberta. 


Agora sim, vamos ao filme, que é baseado numa peça de teatro de mesmo nome, monólogo, em que Dona Hermínia conta suas felicidades e dramas de padecer no paraíso.  Só a atuação de Paulo Gustavo já vale uma nota 10. O tom da voz, os trejeitos, os tiques - tudo nos leva a crer que sim, estamos diante de uma senhora, separada, mãe de dois filhos. 


Diferente do teatro, o filme conta com outros personagens, que ganham forma e divertem o telespectador. Os filhos de Dona Hermínia, Marcelina (Mariana Xavier) e Juliano (Rodrigo Pandolfo) são praticamente um saco de pancadas da mãe, mas também aprontam das suas. A cena em que a mãe busca a filha na balada, de pijama, é daquelas pra chorar de rir. E sim, ela aconteceu na vida real, com o próprio ator.

Samantha Schmütz também merece destaque, como a empregada Valdéa, cheia de papas na língua, frases de efeito e muita atitude, assim como outros atores. De modo geral, o filme funciona muito bem. Tem piadas rápidas, simples e usam coisas do cotidiano da família. Algumas delas se tornam repetitivas, como as com a filha gordinha. E a participação da atual mulher do ex-marido parece fraca. Ingrid Guimarães já provou que é engraçada e o personagem, naquele contexto, tinha tudo pra ser bem mais teatral e caricato. 

Sinceramente, fazia tempo que não ria tanto com uma comédia brasileira. Melhor crítica? Minha mãe ao telefone: 

- Filho! Amei o filme! Nossa. Tudo ali é assim mesmo. A gente faz de  tudo pelo filho e eles nem aí pra gente, né. Um sarro. Muito engraçado!

E eu sou louco de discordar dela?

Curti: Filme simples, piadas bacanas, sem excessos. Até as propagandas, presentes em 100 de 100 filmes brasileiros, aparecem de forma inteligente. Paulo Gustavo está impecável no papel principal, um personagem forte, rico e cativante. E não saia do cinema antes da hora!

Não Curti: Piadas com a filha gordinha. Somente essas se excedem. No início, são divertidas, depois, perdem um pouco a graça. 

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