7th Floor Belén Rueda

Entre os andares

23:11Guilherme Correa

Um filme de suspense que não se apoia em fantasmas ou sustos, e sim numa situação que poderia acontecer com qualquer pessoa. “Septimo”, filme argentino-espanhol, mostra o desaparecimento dos dois filhos do protagonista enquanto eles fazem uma brincadeira até então inocente. Eles somem durante uma aposta com o pai, Sebastián (Ricardo Darín), de quem chega primeiro à entrada do prédio, o pai de elevador ou as crianças pelas escadas. 


Ninguém viu as crianças saírem do prédio, o que deixa o filme mais claustrofóbico. É alguém dentro do edifício, no centro de Buenos Aires, o responsável pelo desaparecimento. O roteiro nos apresenta alguns vizinhos, o porteiro, uma antiga babá, todos suspeitos até que provem o contrário. Há ainda a relação acabada entre os pais das vítimas. A mãe, Délia (Belén Rueda), pede a separação de Sebastián e tem o desejo de levar as crianças para a Espanha. O personagem de Ricardo Darín é advogado de um famoso caso a ser julgado. Até isso causa estranheza e provoca questionamentos no pai desesperado. Será que sua profissão pôde ter resultado nesse crime?


“Septimo” conta a história na ordem cronológica, sem flashbacks ou outros artifícios comuns do gênero. A trilha é usada nos momentos certos, a fotografia é simples e o destaque está principalmente na atuação de Ricardo Darín. Darín, famoso pelos filmes “Tese Sobre um Homicídio” e “O Segredo dos Seus Olhos”, mostra mais uma vez o quanto é talentoso, expressando os sentimentos exigidos pelo personagem sem exageros. A dobradinha com Belén Rueda, outra atriz que também vem se destacando em boas produções como “O Orfanato” e “Os Olhos de Júlia”, é essencial para o clima estabelecido no longa.


Mas a sintonia em cena não salva o roteiro, que não apresenta grandes surpresas (sendo possível descobrir bem antes do fim o tal desfecho) e ainda deixa muitas pontas soltas. O ritmo é rápido, fazendo com que boas propostas sejam perdidas na pressa, como na apresentação dos vizinhos/suspeitos. A direção de Patxi Amezcua é ok, sem nenhum destaque em especial e o filme não parece chegar a um clímax, não provoca. É daquelas produções que ficam no meio do caminho, mas que poderiam ter rendido muito mais.

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