Carrie - A Estranha Chloë Grace Moretz

Uma estranha no ninho

10:41Guilherme Correa

O primeiro livro lançado por aquele que é considerado mestre do terror, o americano Stephen King, foi “Carrie”, em 1974. Dois anos depois, chegou aos cinemas de todo o mundo o filme baseado no livro, considerado um clássico e que rendeu à protagonista, Sissy Spacek, a indicação ao Oscar de melhor atriz em 1976. Dirigido por Brian de Palma, o primeiro longa mostra os problemas enfrentados pela jovem e virginal Carrie, que precisa lidar com a descoberta da maturidade e da sexualidade, a mãe fanática religiosa e, se tudo isso não fosse suficiente, lidar com os poderes de telecinese (capacidade de mover objetos com a força do pensamento).


No filme acompanhamos as mudanças na vida da protagonista, que são mostradas de forma sutil e que deixam explícitas nos antagonistas as atitudes e os pensamentos contrários ao de Carrie. A menina má é promíscua, corrompe as colegas de escola e usa de sexo pra convencer o namorado a participar da famosa vingança. Namorado interpretado na época por um jovem John Travolta. Ali, a forma como víamos a revolta de Carrie com todos existia por uma série de motivos: a chacota, a falta de respeito, os problemas com a mãe e um falso primeiro amor.

Depois de 37 anos, uma sequência e uma refilmagem, ambas sem sucesso, surge mais uma remake pra “Carrie – A Estranha”. Desta vez, nomes conhecidos do público se juntam à produção. Carrie é interpretada por Chloë Grace Moretz e a mãe da personagem é vivida por Julianne Moore. As duas conseguem retratar muito bem o que o roteiro e a direção pedem. E talvez os principais problemas do novo filme sejam esses dois, que optam por transformar todos aqueles problemas que a protagonista enfrenta na versão original num único motivo: a vingança.


A direção de Kimberly Peirce (Meninos não Choram) e o roteiro de Roberto Aguirre-Sacasa (série Glee) parecem imitar os filmes sobre escolas norte-americanas, como “Meninas Malvadas” ou “A Mentira”. Pode ser uma tentativa de deixar a história mais atual, que acaba caindo num lugar comum, bastante conhecido do cinema, mesmo com atuações marcantes de Chloë e, principalmente, Julianne. É ela quem consegue dar um novo ar, ainda mais maléfico e louco à mãe. Chega a ser agoniante quando o olhar forte dela toma conta da telona. Chloë, conhecida por personagens cheios de personalidade (como em “Kick-ass” ou “A Invenção de Hugo Cabret), encontra um tom mais retraído e menos sagaz, como no livro.

Existe também uma dificuldade de visualizar melhor o filme como terror. A sensação estranha é causada pelas cenas que utilizam computação gráfica. O excesso de artifícios criado por computador torna tudo menos próximo do real. A sequência após o banho de sangue de porco, um dos pontos altos do filme original, se perde em meio à tecnologia. A cena do carro é até interessante, se não fosse o exagero. Carrie tem telecinese ou algum outro super poder capaz de abrir buracos na terra?

O ponto alto é a cena em que mãe e filha duelam quase no fim do longa. A imagem da mãe, praticamente crucificada, é marcante, numa referência ao exagero religioso da matriarca. Até acho que essa cena, na refilmagem, seja mais forte do que a sequência no baile de formatura. Mas daí, o filme termina e só uma cena não torna a experiência tão marcante.


Curti: Chloë Grace Moretz e Julianne Moore. As duas atrizes estão muito bem em seus papéis. Ambas conseguem dar novas vidas aos personagens tão conhecidos e que marcaram o cinema de terror.

Não curti: O resultado final deixa a desejar. Não é marcante e parece focar mais na questão do bullying do que nos outros aspectos emocionais que tornaram o primeiro Carrie um clássico.

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1 comentários

  1. Quando assisti a primeira versão me apaixonei pela história, foi um filme que me marcou muito e chamou atenção. Estou louca para ver essa adaptação, muito curiosa :D

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