Bling Ring – A Gangue de Hollywood Editora Intrínseca

Furtos, excessos e fama

17:13Guilherme Correa

Impossível abrir qualquer jornal, site ou revista e não se deparar com notícias ou fofocas sobre algum famoso. O mesmo vale pra quem liga a televisão ou o rádio. O culto às celebridades ultrapassa qualquer mídia e parece estar impregnado no cotidiano deste século. Tornou-se natural acompanhar a vida de pessoas que, mesmo distantes, parecem estar cada vez mais próximas da gente. 

A internet e as redes sociais contam com a ajuda desse modo narcisista de vida que levamos, e num simples clique é possível responder quem, onde, como , quando, com quem e muitas outras perguntas que vão além do tradicional lead jornalístico. A privacidade parece um item cada vez mais raro nas prateleiras. 

Especialistas tentam descobrir se a culpa é do ovo ou da galinha, da tecnologia ou do homem, da mídia ou da própria história. A linha entre pessoas comuns e celebridades nunca foi tão tênue. Ainda mais numa geração que se preocupa mais com a diversão da jornada da vida do que com um objetivo específico a ser alcançado – tema abordado muito bem em discussões sobre baby boomers (1940/1950), geração x (1960/1970) e millennials (1980/1990).


O historiador Steven Mintz conta que, de uma hora pra outra, lá pelos anos 90, os jovens não queriam mais mudar o sistema. Eles simplesmente queriam dinheiro. E se além do dinheiro, o sucesso também trouxesse fama? Então chegamos aos anos 2000. É impossível falar sobre essa supervalorização da fama sem citar o culto às celebridades criado nos EUA, difundido por todo o mundo. Uma indústria que lucra cada vez mais e que não parece sofrer com uma crise tão cedo. 

Além de dinheiro, esse culto vem gerando uma série de problemas, principalmente psicológicos nos jovens. Jovens que consomem drogas e bebidas cada vez mais cedo, meninas que perdem mais cedo a inocência, tudo influenciado pela mídia e por seus artistas preferidos. E não sou eu quem afirmo não, são pesquisas bem detalhadas e profundas que apontam que até crises econômicas surgem só porque uma pessoa quer viver como uma celebridade. Claro, vai muito além disso. Tem educação, o meio em que esses jovens vivem, mas é impossível negar essa influência.

Entre 2008 e 2009, um grupo de jovens de famílias de classe média resolveu realizar diversos furtos. Os alvos: astros de Hollywood! Uma história que chamou a atenção da mídia, virou filme pra televisão e ganhou as telonas nas mãos da competente Sofia Coppola (estreia no Brasil em agosto). O livro “Bling Ring – A Gangue de Hollywood” conta como esses jovens, sedentos por esse sentimento de fama, dinheiro e diversão, acabaram conseguindo tudo isso através do crime. (Duas delas tiveram um reality show depois do caso. Sim, na E!.)


Quem escreve é a jornalista Nacy Jo Sales e o livro é baseado num artigo que ela produziu pra revista Vanity Fair. Nas páginas, somos transportados pras cabeças desses jovens, entre 16 e 20 anos, que repetiam em casa o que milhões de outros jovens fazem todos os dias: ligam o computador e procuram pela internet sobre a celebridade favorita. O que ela veste, aonde ela vai, o que ela fez, quem ela namora.

O livro trata desse mundo, que é considerado por muitos como superficial, com seriedade, principalmente quanto nos lembra a importância que a privacidade tem em nossas vidas. Também chega a ser assustador o quanto a exposição midiática e a valorização disso pode mexer com o psicológico de alguém. Um exemplo está na discussão que os assassinos de Columbine tiveram antes de matar 13 pessoas. Eles queriam saber quem dirigia um filme sobre eles antes mesmo de cometerem o massacre. 

“Bling Ring – A Gangue de Hollywood” é uma verdadeira aula de como estamos vivento atualmente. Indispensável pra quem gosta de assuntos como jovens, consumo, fama e excessos. E mostra como somos vulneráveis a tudo isso, até mesmo a mais louca das loucas Lindsay Lohan. Lohan, uma das vítimas do grupo, tem uma das frases mais dramáticas e verdadeiras do material:

- Porque o problema não eram as coisas roubadas, era o fato de alguém ter entrado no único lugar do mundo onde eu tenho privacidade.




Bling Ring – A Gangue de Hollywood, de Nancy Jo Sales. Editora Intrínseca, 272 páginas. 

Curti: O livro é um ótimo retrato de como vivemos hoje em dia. Não somente os jovens, mas a sociedade de um modo geral. Em vários momentos, temos as impressões pessoais da autora sobre o caso, muitas das dúvidas que nós, leitores, também teríamos caso estivéssemos na mesma posição que ela. 

Não curti: A demora pra adaptação do filme chegar no Brasil. Falta muito pra agosto? Aliás, pra quem curte consumo, fama e o mesmo tema de Bling Ring, é indispensável assistir aos filmes de Sofia Coppola. Todos eles tratam do tópico de uma forma bem singular.

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